Uma mulher e um homem examinam um modelo arquitetônico detalhado de uma cidade na Conferência do Fórum Urbano Mundial.
ONU News Um modelo de cidade inteligente apresentado na Expo Urbana durante a décima terceira sessão do Fórum Urbano Mundial (WUF13)

A integração das novas tecnologias na gestão urbanística reforça a capacidade de resposta das cidades a riscos comuns; especialistas alertam para os riscos associados à dependência tecnológica excessiva.

Desde a adoção de sistemas de transporte impulsionados por inteligência artificial até ao planeamento de parques resistentes a inundações, as cidades modernas incorporam várias tecnologias altamente sofisticadas.

Na 13.ª sessão do Fórum Urbano Mundial, realizada em Baku, Azerbaijão, especialistas alertam para as novas oportunidades, riscos e prioridades da integração tecnológica na construção das “cidades do futuro”.

As pessoas no centro da inovação

A diretora executiva da ONU-Habitat, Anacláudia Rossbach, alertou que as grandes cidades enfrentam problemas complexos, como a escassez de habitação, os choques climáticos e o aumento das desigualdades.

Neste sentido, ela considera necessário “maximizar as tecnologias disponíveis”, numa altura em que as cidades sofrem os impactos da urbanização acelerada e das alterações climáticas.

Para a especialista brasileira, a transformação digital das cidades inteligentes deve priorizar os seus cidadãos garantindo a centralidade dos direitos humanos, a inclusão e a equidade.

Vista aérea da paisagem urbana de Bogotá, Colômbia, com arranha-céus modernos, uma ampla avenida com tráfego e montanhas ao fundo sob um céu parcialmente nublado.
© Bogota Mayor’s Office/Cristia Bogotá, na Colômbia, é reconhecida como líder em iniciativas de cidades inteligentes, com foco em transformação digital, mobilidade e sustentabilidade urbana

Novas tecnologias, novos riscos

Face à progressiva utilização de IA e estruturas digitais na gestão urbanística, alguns investigadores alertam para o risco de um foco tecnológico excessivo nas cidades.

Dependendo da forma como é utilizada, a tecnologia pode tanto capacitar as pessoas como tornar-se “uma ferramenta de controlo”, afirma Gynna Millan, arquiteta e investigadora urbana da Colômbia.

Por sua vez, a interconectividade das cidades torna-as mais vulneráveis a ameaças digitais. Nesse sentido, os ciberataques às infraestruturas críticas reforçam a necessidade de integrar a cibersegurança no planeamento urbano.

Cidades inteligentes, para quem?

A discussão das cidades do futuro remete para questões de capacidades, assimetrias mundiais e da priorização de valores que garantam a inclusão plena e igualitária da sociedade.

Para muitas cidades do Sul Global, nomeadamente as que carecem de infraestruturas básicas ou de internet fiável, a questão não é apenas saber se a tecnologia avançada existe, mas se melhora efetivamente a vida quotidiana.

Nesse contexto, a proposta é que o próprio conceito de “cidade inteligente” seja repensado, já que este nem sempre implica a introdução de tecnologias digitais.

Por vezes, o conceito reflete-se no “bom planeamento, definição de prioridades e compreensão de como as infraestruturas estão interligadas”, afirmou Dmitry Maryasin, da Comissão Econômica da ONU para a Europa.

De acordo com os responsáveis da ONU, o futuro das cidades inteligentes não será decidido por quem tem os maiores centros de dados ou sistemas de IA mais rápidos, mas sim por quem elas são projetadas para servir, com base na inclusão, na confiança e na segurança.

*Com reportagem de Nargiz Shekinskaya, enviada especial da ONU News a Baku

Fonte: ONU NEWS

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