Versão inicial da Declaração Universal dos Direitos Humanos

ONU/Greg Kinch Versão inicial da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Em evento de celebração dos 75 anos do texto, alto comissário de Direitos Humanos enfatiza que documento inspirou movimentos de justiça e liberdade e demonstrou eficácia; para Volker Turk, fracasso em aplicar os princípios da declaração resulta em guerras, fome, discriminação e ódio. 

Na abertura do evento de celebração dos 75 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos nesta segunda-feira, o alto comissário da ONU sobre o tema disse que a atividade serve como um “chamado à esperança e um chamado à ação”. 

Para Volker Turk, em um momento de tão pouca solidariedade e tanta divisão, a data deve ser usada para “superar a polarização” e a “energia” da declaração deve ser projetada para frente, para lidar com um futuro desafiador.  

Texto que surgiu nas cinzas

O evento de alto nível acontece na sede da ONU em Genebra até terça-feira e reúne líderes mundiais, ativistas, especialistas, empresários e celebridades. 

Em seu discurso, Turk fez um apelo para retomar o espírito que levou todos os Estados-membros a adotar a Declaração Universal e a basear as decisões locais, nacionais e globais, em todas as áreas políticas, no valor intrínseco e igual de cada vida humana.

Ele lembrou que o texto “surgiu nas cinzas da guerra global, trazendo esperança” e foi elaborado em “um momento de horror, após a mais monstruosa matança em massa que o mundo já conheceu, na forma do Holocausto e com o conhecimento de que a destruição total estava cada vez mais próxima”.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, discursa na 54ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos

ONU/Jean Marc Ferré O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, discursa na 54ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos

Eficácia comprovada

O alto comissário da ONU enfatizou que a Declaração Universal “tem demonstrado seu poder e eficácia ao longo de décadas”. Segundo ele, foi deste compromisso que “muitos movimentos de libertação tiraram a sua força”.

Turk mencionou que o texto elaborado há 75 anos serviu de inspiração para movimentos de independência, lutas contra regimes opressivos, movimentos pelo fim da segregação e do Apartheid eresponsabilização por crimes. 

Além disso, ele lembrou que a Declaração dos Direitos Humanos também possui implicações em diversas áreas como combate à todas as formas de discriminação, proteção social e condições dignas de trabalho.

Reflexo da sabedoria antiga

Para o chefe de direitos humanos, o documento histórico adotado no surgimento das Nações Unidas, “ressoa com a sabedoria antiga que conecta todos os seres humanos”. 

Ele mencionou como fontes que alimentam a declaração as lutas contra a escravidão, os valores africanos de interdependência, a ênfase do Islã na dignidade humana e na partilha compassiva, as liberdades defendidas no iluminismo, a unidade presente nas tradições espirituais asiáticas, dentre outros. 

No entanto, Turk afirmou também houve numerosos fracassos na defesa dos direitos humanos nos últimos 75 anos.

Caminho para a paz, a justiça e a liberdade

Ele enfatizou que esses fracassos estão ao nosso redor na forma de diversas guerras, fome, discurso de ódio, repressão e perseguição. 

O alto comissário mencionou ainda as ameaças aos direitos humanos geradas pelas mudanças climáticas, pela poluição e pela perda de biodiversidade. Segundo ele, “estes são desafios profundos e interligados que decorrem do fracasso na defesa dos direitos humanos”.

Turk concluiu dizendo que a solução para os muitos desafios atuais existe. E está neste texto elaborado há 75 anos. 

Ele lembrou que os redatores da Declaração Universal transcenderam os embates geopolíticos e as diferenças econômicas e deixaram de lado muitas “disputas terríveis” para alcançar esse “texto luminoso, que clareou o caminho para a paz, a justiça e a liberdade”.

Fonte: ONU NEWS

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