
© Ocean Image Bank/Naja Bertolt Saco plástico de uso único flutuando perto de um recife de coral em Bali
Até 19 de novembro, líderes mundiais se reúnem em Nairóbi para discutir tratado vinculativo sobre o tema; produção anual de 430 milhões de toneladas de plástico e os custos de até US$ 600 bilhões anuais destacam urgência da ação; chefe do Pnuma enfatiza necessidade de enfoque abrangente, desde a produção até o descarte.
Negociadores se reúnem até domingo em Nairóbi, Quênia, para uma série de conversas destinadas a criar um instrumento global legalmente vinculativo para acabar com a poluição por plásticos.
As discussões, representando a terceira sessão do que é conhecido como Comitê de Negociação Internacional, ocorrem em meio a uma crise global de poluição por plásticos.
430 milhões de toneladas de plástico todos os anos
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, a humanidade produz cerca de 430 milhões de toneladas de plástico. Anualmente, dois terços se tornam resíduos rapidamente, poluindo a terra, o mar e o ar, e penetrando cada vez mais na cadeia alimentar humana.
Durante o evento, os participantes devem discutir um rascunho inicial de um instrumento global divulgado no início deste ano para pôr fim à poluição por plásticos.
Na abertura do evento, a diretora executiva do Pnuma destacou que a necessidade de ações ambiciosas, legislação eficaz, incentivos claros, financiamento, cooperação internacional e uma transição justa, enfatizando que a liderança do setor privado é essencial para impulsionar a transformação.

UNEP/Cyril Villemain Pessoas locais de Watamu, Quênia, trabalham com a Local Ocean Conservation para pegar plástico na praia.
Ciclo do plástico
Inger Andersen lembrou que há cerca de 18 meses, a 5ª Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente adotou a resolução histórica para elaborar este instrumento. Ela pede que as negociações deste encontro reflitam o “espírito de cooperação, consenso e ambição” daquele momento.
Para Andersen, o instrumento deve ser abrangente, abordando todo o ciclo de vida do plástico, desde a produção até a poluição. A chefe da agência da ONU enfatizou a necessidade de eliminar produtos plásticos desnecessários, incluindo os de vida curta e de uso único.
Ela ainda sugeriu o redesenho de produtos, especialmente embalagens, para reduzir o uso de plástico e facilitar a reutilização, recarga, reparo e reciclagem.
Andersen destacou a importância de lidar com microplásticos e substâncias químicas prejudiciais, propondo a eliminação de mais de 900 substâncias químicas perigosas presentes em embalagens.
Custos da poluição por plásticos são de até US$600 bilhões por ano
A secretária executiva do Comitê de Negociação Internacional, Jyoti Mathur-Filipp, explicou a importância de um tratado global sobre plásticos.
Ela lembrou que o objetivo é concluir as negociações até o final de 2024 para criação de um instrumento global internacional legalmente vinculativo sobre a poluição por plásticos, incluindo no ambiente marinho.
Jyoti Mathur-Filipp alerta que a poluição por plásticos tem um efeito arrasador nos ecossistemas, no clima, na economia e em nossa saúde.
Segundo ela, os custos sociais e econômicos da poluição por plásticos variam entre US$ 300 e US$ 600 bilhões por ano, no entanto, a produção de plástico aumentou nos últimos 50 anos e espera-se que dobre nos próximos 20 anos se nenhuma ação for tomada.
Por isso, a secretária executiva avalia que o evento será um marco crucial para avançar na articulação de alguns dos principais elementos do futuro instrumento legalmente vinculativo.
O texto preliminar do instrumento deve ir para consideração no próximo Comitê, que ocorrerá em abril de 2024, no Canadá.
Neste ano, sessão também contará com 12 eventos paralelos abordando desde a promoção da produção e o consumo sustentável de plásticos até considerações socioeconômicas na transição para abordagens circulares do plástico.
Agenda
A sessão foi precedida por consultas regionais no domingo. Além disso, conforme decidido pelo Comitê em sua segunda sessão, uma reunião preparatória aconteceu em 11 de novembro.
Desde 1º de outubro, o texto preliminar do instrumento internacional legalmente vinculativo, elaborado pelo Presidente do Comitê de Negociação Internacional, foi disponibilizado nos seis idiomas oficiais das Nações Unidas.
Fonte: ONU NEWS