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Michel Baronian Medição do ponto de congelamento foi feita por um balão meteorológico da Suíça

Relatório revela que 95% do continente registrou temperaturas acima da média no ano passado; Círculo Polar Ártico registrou dias com mais de 30C°; Portugal e Espanha foram duramente atingidos por incêndios florestais, concentrando 65% da área queimada. 

A Europa é o continente que aquece mais rapidamente no mundo, num ritmo duas vezes maior que a média global, segundo o relatório Estado do Clima na Europa, divulgado nesta quarta-feira pela Organização Meteorológica Mundial, OMM.

Pelo menos 95% do continente registrou temperaturas anuais acima da média em 2025 e ondas de calor foram sentidas do mediterrâneo ao círculo ártico. 

Portugal e Espanha com 65% da área queimada por incêndios

Durante 2025, os incêndios florestais na Europa causaram pelo menos três mortes e afetaram cerca de 500 pessoas. Em agosto, o fogo atingiu boa parte da França, Espanha e Portugal. 

Ao longo de uma semana, os incêndios no noroeste da Espanha e no norte de Portugal levaram às maiores emissões totais anuais de incêndios florestais na Europa em 23 anos de registro.

Os autores do estudo afirmam que a transição de condições úmidas para secas está por trás de uma vegetação mais ressecada, que impulsiona incêndios florestais maiores e mais frequentes.

Ao longo do ano, 1,034,552 hectares foram queimados em toda a Europa, um valor recorde. Só na Espanha foram 380.877 hectares e em Portugal 265.139 hectares, somando 65% da área queimada. 

Já em novembro, a Tempestade Claudia causou inundações significativas em Portugal, Espanha, Irlanda e no Reino Unido, e tornados foram relatados em Portugal e na França.

Imagem de satélite mostrando colunas de fumaça de incêndios florestais sobre a Espanha e Portugal em agosto de 2025.
© NASA Fumaça sobre Trancoso, Portugal, Península Ibérica, em 16 de agosto de 2025

30°C no Círculo Polar Ártico

O relatório aponta uma tendência de aquecimento acelerado nas regiões mais frias da Europa, incluindo o Ártico e os Alpes, onde a neve e o gelo desempenham um papel fundamental na desaceleração das mudanças climáticas, ao refletir a luz solar de volta para o espaço.

As temperaturas nas proximidades e no interior do Círculo Polar Ártico atingiram e ultrapassaram os 30°C, chegando a um pico de 34,9°C em Frosta, na Noruega.

Os glaciares em todas as regiões europeias registraram uma perda de massa, com a Islândia registrando a segunda maior perda glacial de sua história. A cobertura de neve no continente ficou 31% abaixo da média.

Rios mais secos e mares mais quentes

2025 foi um dos três anos mais secos em termos de umidade do solo desde 1992 e cerca de 70% dos rios apresentaram vazões abaixo da média em toda a Europa.  Em maio, cerca de metade do continente (53%) foi afetado por condições de seca. 

De acordo com a OMM, esses padrões refletem uma combinação de fatores, incluindo a circulação atmosférica e a variabilidade das chuvas, juntamente com tendências climáticas de longo prazo.

A temperatura anual da superfície do mar na região europeia foi a mais elevada já registrada, e 86% da região vivenciou ondas de calor marinhas de intensidade, no mínimo, “forte”.

O relatório reúne o trabalho de cerca de 100 colaboradores científicos e oferece uma visão abrangente das principais mudanças nos indicadores climáticos do continente que mais rapidamente aquece no mundo, incluindo ambientes frios, ecossistemas marinhos, rios e lagos, risco de incêndios florestais e muito mais.

Fonte: ONU NEWS

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